Qualidade: desafio da terceirização de serviços

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Estudo do Cenam revela os principais obstáculos da empresas na hora de contratar serviços terceirizados.

A dificuldade em encontrar parceiros de qualidade é o maior problema das empresas em terceirizar parte seus serviços, revela estudo do Centro Nacional de Modernização (Cenam). De acordo com a pesquisa, realizada com 2,8 mil empresas de diversos setores em todo o Brasil, 62% das entrevistadas afirmaram não encontrar nos mercados parceiros com padrão de serviços terceirizados à altura de seus negócios.

É um problema regional, diz Lívio Giosa, presidente do Cenam.

Segundo ele, nos últimos anos houve a interiorização das atividades econômicas com a migração de várias empresas para cidades do interior, principalmente no Nordeste. Entretanto, o setor de serviços terceirizados não acompanhou esta mudança.

Outras restrições referem-se ao não atendimento às expectativas quanto à qualidade (52% dos entrevistados), as dificuldades de encontrar empresas prestadoras certificadas de serviços terceirizados (39%), problemas com relacionamentos com sindicatos (26%) e dificuldade em determinar o custo interno da área a ser terceirizada, para criar uma base de comparação (23%).

Por outro lado, a pesquisa do Cenam revela que 100% das empresas consultadas conhecem os processos de terceirização de serviços, sendo que 86% já utilizaram algum serviço de terceiros.

O conceito de terceirização de serviços já é uma realidade há 15 anos, afirma Giosa. As empresas já entenderam que passar para terceiros, atividades complementares, como limpeza, segurança, transporte, informática e folha de pagamento traz benefícios.

A possibilidade de focar na atividade principal da empresa (core business) foi apontada por 91% das entrevistadas como fator principal para a contratação de serviços terceirizados. Entre outras vantagens, a redução de custos foi citada por 86% dos entrevistados, seguida por revisão da estrutura organizacional (65%), melhores resultados no conjunto das ações da empresa (52%), aumento da qualidade dos serviços prestados (43%), e transferência de tecnologia agregando valor ao negócio (34%).

Giosa ressalta, porém, que não existe uma ditadura da terceirização. Cada vez menos as empresas entendem que a contratação de serviços terceirizados é um processo estratégico que tem que trazer vantagens em relação ao custo, ressalta.

Segundo 17% das entrevistas, as áreas administradas por terceiros apresentam uma redução de 10% nos custos operacionais. O estudo mostra que, para 13% das empresas, essa redução foi de 25%, sendo que 8% delas chegou a ter um corte de 30% nos gastos.

Os contratos para um ano chegam a registrar valores acima de R$ 500 mil, de acordo com 47% das entrevistas. Para 21% das empresas, esse valor era de R$ 150 mil a R$ 500 mil, e para 13%, de R$ 100 mil a R$ 150 mil. A redução do quadro de funcionários também foi notada pelas empresas que participaram da pesquisa: 82% das consultadas afirmaram que tiveram redução, que varia de 10% a 25% do quadro de colaboradores das áreas administrativas por terceiros.

Setores

O estudo  que foi apresentado no Fórum sobre Terceirização e Empresabilidade, nos dias 4 e 5 de maio, na Fecomércio revela que o setor de conservação e limpeza é o que mais tem demanda para terceirização: 73% das empresas afirmaram contratar empresas prestadoras de serviços desses setores. Mas, segundo Giosa, o setor ainda não esgotou todas as possibilidades de atuação.

Como já estão presentes nas grandes corporações, as terceirizadas de limpeza e conservação estão voltando suas ações para o mercado de pequenas e médias empresas, afirma.

Ele ressalta que cada vez mais a terceirização caminha para o campo da especialização de serviços. Áreas consideradas estratégicas como jurídico e recursos humanos já são administradas por terceiros em 46% e 34% das consultadas, respectivamente. Mesmo na área industrial já temos empresas que terceirizam a área de manutenção de moldes, considerada fundamental para os negócios.

(Fonte: Gazeta Mercantil)

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